O EXPURGADO

O Expurgado – Danilo Bonotto

maisQnada 2011 – Autobiografia – 16×23 – 440 pág.

ISBN: 978-85-61797126

R$ 40,00

 

Danilo Bonotto, brasileiro de origem humilde, sem formação acadêmica, mas com um imenso talento para artes e humanidades, nasceu em 1929 na cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul. Seus sofrimentos o levaram ao amor e ao conhecimento, procurando e lendo mesmo o que desconhecia. De Spencer a Marx, da economia à filosofia.

Em sua revolta contra a pobreza e a sua própria, o instigaram a entrar no Partido Comunista. Posteriormente se tornou funcionário público. De seus ideais cedo começou o envolvimento com a questão da reforma agrária, pois não deixaria de manifestar suas ideias tampouco de defendê-las. Redigia, à época, no jornal da Madrugada em Chapada, no Alto Uruguai, e apresentava um programa de rádio, até que em abril de 1964 foi denunciado e preso, sendo expulso do serviço público.

O expurgado, eis que a “tinta” foi dada. Devido a uma circular do governo militar que impedia o trabalho de presos políticos, durante mais de 15 anos não conseguiu emprego formal, terminando por fabricar armas para as guerrilhas contra os militares. Período difícil, quase duas décadas vivendo à espreita da sociedade. Excluído, atingido, segredado, expurgado.

Foi somente por conta da anistia, na década de oitenta, que reconquistou seu emprego público. Durante esse período o autor recuperou suas memórias e escreveu a primeira edição do livro, que agora foi revisado e atualizado. Tamanho o interesse pelo livro que levou um cônsul norte-americano a adquirir um exemplar, que hoje encontrasse na Biblioteca do Senado dos Estados Unidos.

O escritor, autobiografado neste livro, possui ainda um Tratado de Filosofia, entregue apenas a amigos, além de um material vasto em cartas, artigos e poesias, que demonstram a intensa comunicação que manteve nas últimas seis décadas. Destacamos, por último, esse interessante detalhe desse homem, a de sua carreira como tenor lírico.

 

A vida dos seres humanos é eivada de ações boas e más que promovem a história, destacando-se mais más que boas, Ações vergonhosas, como a patifaria, a politicagem, a preguiça, o crime, as imoralidades sem fim. Tudo isso, quase sempre encobertas por uma capa de cínica moralidade. Assim, na realidade, mais que nas obras artísticas, a mentira se apresenta como verdade, o criminoso como homem de bem, o Estado como pretensa existência, e a priori usando e abusando do seu poder, submetendo a sociedade ao seu propósito, procurando adulterar a história. A cidadania é, para o Estado, apenas um detalhe.

 

Nesta obra o autor esforça-se para furar o o segredo que guarda as verdadeiras causas das mortes dos últimos presidentes do Brasil, ao duvidar das notas oficiais, pondo em relevo as suas contradições, as suas falsas versões

 

Pensa o autor que o dia em que um Epimeteu brasileiro, corajoso, abrir a caixa da história guardada com tanto mistério, se esparramará a verdade que em forma de um linda paloma branca, carregará o bico louro da esperança. Não da esperança vaga, fruto da manipulação, mas a esperança movida por uma clarividência própria às grandes revelações do homem.